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Análise Tática: Guarani 1×0 Red Bull Bragantino

Por Nossa Taba, em 13/03/24

Na tarde do último domingo, 25/02, o Bugre venceu o Massa Bruta (1×0), em jogo realizado no Brinco de Ouro da Princesa, válido pela décima segunda (e última) rodada da primeira fase do Campeonato Paulista 2024 e escapou do rebaixamento.

O técnico Claudinei Oliveira teve mais uma semana livre, mas também teve que lidar com um número relativamente alto de desfalques, levando em conta o time considerado titular lá no início do estadual: Pegorari sofreu uma fratura na fíbula e desfalcou a equipe o campeonato todo, o zagueiro Marcio Silva sofreu uma lesão ligamentar e deve perder o restante da temporada, o lateral-esquerdo Mayk foi negociado, com a competição em andamento, e não houve reposição, o volante Anderson Leite se contundiu em treinamento e também virou desfalque, assim como Camacho, que cumpriu suspensão pelo terceiro cartão amarelo, e os atacantes Derek, vendido para o Atlético/GO, e Bruno Mendes, que rompeu o tendão de Aquiles e é outro que pode ficar fora até o final do ano.

Assim o Alviverde Campineiro foi a campo, jogar pela permanência na série A1, com: Vladimir; Léo Santos, Rayan e Lucas Adell; Diogo Matheus, Matheus Bueno, Gustavo França, Régis e Hélder; Pablo Thomaz e Reinaldo.

Logo que o jogo começou o Guarani deixou clara a sua estratégia de se defender em um 5-4-1, com bloco médio/baixo, fazendo os laterais “descerem” até a linha dos zagueiros enquanto os atacantes recuavam pelas beiradas, para formar a dobra defensiva pelos lados do campo. No meio Matheus Bueno e Gustavo França ficaram encarregados de proteger a entrada da área e impedir que o Toro Loko jogasse por esse setor. Régis recuava, centralizado, para ajudar a fechar as linhas de passe e não permitir que o adversário criasse as superioridades numéricas necessárias para fazer prevalecer seu padrão tático.

Atacando, o Bugre se postava em um 3-4-1-2, com os três zagueiros formando a primeira linha e dando a opção da “saída em três”, no caso de uma tentativa de bola mais curta e aproximada. Ambos os laterais “subiam” e se colocavam ao lado dos meio-campistas, para oferecer opções de progressão da transição. Mais a frente, Régis atuava como meia de criação/armação, buscando espaços nas costas dos volantes do RB Bragantino, enquanto os atacantes “caiam” pelas pontas, explorando a marcação alta da defesa do oponente, inclusive dando a possibilidade da bola longa, pelos lados, onde havia campo aberto para os extremos do Alviverde Campineiro se utilizarem de sua velocidade e habilidade para enfrentamento individual, contra os defensores inimigos.

Mesmo não tendo começado o jogo tão bem, em seu primeiro ataque, o Guarani, através do goleiro Vladimir, “esticou” uma bola para a ponta direita, onde Reinaldo levou (como de costume) vantagem sobre seu marcador e cruzou, a meia altura, para Pablo Thomaz entrar, finalizando de primeira, para vencer o goleiro Lucão e fazer o gol do Bugre. O que poucos viram foi que, antes do lançamento preciso do goleiro, do cruzamento na medida do extremo e da finalização perfeita do atacante, o lance começou com a movimentação de Régis, que atraía a marcação para o lado esquerdo do ataque bugrino, enquanto orientava Reinaldo para avançar pela direita e sinalizava o local do lançamento para Vladimir. O camisa setenta e oito, mesmo que por alguns momentos, pareceu voltar ao posto de “maestro” do time, refletindo as expectativas da torcida e, finalmente (mesmo tendo perdido gol feito, na sequência), parece estar reencontrando um pouco do brilho que lhe rendeu o apelido de “Messi Careca”.

Imediatamente, percebendo que haviam espaços para jogar e que o Massa Bruta teria que mudar sua postura, atitude e posicionamento, o treinador do Bugre, Claudinei Oliveira, adiantou Leo Santos e o Alviverde passou a atuar em um 4-1-4-1, com os zagueiros e laterais voltando a atuar em linha, enquanto Leo Santos se posicionava a frente da área, para proteger o setor e dar liberdade para que os meio-campista e os atacantes jogassem mais próximos, criando alternativas que permitissem ter as vantagens de uma defesa mais compacta e de uma transição mais vertical e prática, com Régis fazendo um falso nove, confundindo a marcação e arrastando os zagueiros para fora de suas zonas de conforto, através de sua movimentação.

Ambos os encaixes demoraram um pouco e o que se viu, na sequência, foi um jogo aberto, franco, com chances criadas (e desperdiçadas) pelos dois times que, mesmo com cada um atuando dentro de sua proposta (o Toro Loko com muito mais posse e o Guarani mais objetivo), fizeram um primeiro tempo equilibrado e viram sair “premiado” quem melhor executou as mecânicas a que se propôs a realizar.

Apesar da volta do intervalo não ter trazido mudanças (substituições) foram diversos ajustes (posicionais e táticos) nas duas equipes. E o RB Bragantino tratou de mostrar que, naquele momento, fazia melhor leitura do jogo e criou mais de dez minutos (quase ininterruptos) de desconforto para o Bugre que, nessa fase, praticamente só se defendia e, para piorar, havia perdido sua “válvula de escape” e, por consequência, o contra-ataque.

Percebendo que o Alviverde Campineiro precisava voltar a duelar e a ganhar terreno, antes dos quinze minutos da segunda etapa, Claudinei Oliveira fez suas primeiras trocas, colocando e lateral-direito Heitor (que viria a atuar como volante) e o atacante Gabriel Santos nas vagas de Gustavo França e Régis, respectivamente, postando o Guarani em um 4-3-3, que visava segurar a linha defensiva do Massa Bruta em uma posição menos adiantada, com três atacantes rápidos, enquanto oxigenava e congestionava o meio-campo, com três atletas de mais marcação.

Mais de dez minutos se passaram e, apesar das tentativas de ambos os lados, a desorganização chamou mais a atenção do que o jogo em si, e o grande desafio foi reencontrar um encaixe que permitisse que as duas equipes voltassem a jogar futebol. Truncado e sem criatividade o jogo seguiu a passos largos para um desfecho sem grandes emoções e, mesmo com as substituições (Lucas Araújo e Airton nos lugares de Lucas Adell e Pablo Thomaz) o Bugre pouco incomodou e pouco foi incomodado, já que, aquela altura, o desgaste físico e a quantidade de mudanças e alterações, tanto nos posicionamentos, quanto em padrão tático, mal permitiam aos jogadores acionados, realizarem o que lhes havia sido proposto.

Ainda haveria tempo para a entrada de Marlon, no lugar de Reinaldo, com o objetivo de revitalizar e fortalecer a dobra defensiva pelos lados do campo e permanecer com três atacantes rápidos, que pudessem manter a defesa bragantina preocupada demais para poder subir, de vez, e encurralar o Alviverde Campineiro.

E foi só. Foi por pouco, mas foi o suficiente.

O Bugre venceu e escapou do rebaixamento, com mais emoção e muito menos futebol do que o torcedor gostaria, em um ano em que as dificuldades eram previsíveis, mas as más notícias vieram cedo demais e acentuadas ao extremo, principalmente, por situações que poderiam (e deveriam) ter sido contornadas com mais ímpeto e profissionalismo por aqueles que se vendem como solução há anos e se colocaram a disposição do cargo que ocupam (alguns, inclusive, por sufrágio), mas não demonstraram, até agora, o preparo necessário para gerir, com excelência, um clube com esse tamanho e com essa camisa pesada. A hora do “por pouco” está acabando, o tempo do “suficiente” está passando e é assustador perceber que nada (ou muito pouco) deve mudar pelos lados do que um dia já foi Guarani FUTEBOL Clube, já que o elenco foi virado do avesso, com as vendas jogadores e a displicência em trazer reposições, não há estabelecimento de rumo, seja para direção do futebol, técnico, jogadores ou, mesmo, em relação a funcionários do clube, que são substituídos a todo momento. E tudo isso acontece, principalmente, porque não existe definição exata de cargos e das responsabilidades e atribuições das funções de comando. O fato é que estamos a pouco mais de um mês do início da Campeonato Brasileiro da série B o Bugre segue com um superintendente de futebol interino, com seu CEO afastado e quase nenhuma definição de que caminho seguirá para reforçar a equipe (em uma janela de exceção) a ponto de fazer uma campanha descente no Campeonato Nacional. A impressão não é nada boa.

Mas que venha um novo dia, um novo capítulo e um novo campeonato. Que os erros sirvam de aprendizado para transformar o tímido sorriso, que a vitória contra os reservas do RB Bragantino trouxe para a torcida, em uma gargalhada de alegria por campanhas mais dignas, começando de agora! Até lá, continuaremos por aqui, observando tudo, de dentro da Nossa Taba!