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Análise Tática: Botafogo-SP 1×1 Guarani

Por Nossa Taba, em 03/03/24

No início da noite da última sexta-feira, 01/03, o Bugre foi até Ribeirão Preto, enfrentar o Pantera da Mogiana, em partida que terminou empatada (1×1), válida pela décima primeira rodada do Campeonato Paulista 2024.

O técnico Claudinei Oliveira, que teve outra semana completa para “trabalhar” e recuperar os jogadores, optou por repetir a escalação e mandou o Alviverde Campineiro a campo com: Vladimir; Léo Santos, Márcio Silva e Rayan; Diogo Matheus, Anderson Leite, Camacho, Hélder e Régis; Pablo Thomaz e Gabriel Santos.

Quando o Guarani tinha a posse, fazia a “saída em três” (lavolpiana) com os zagueiros jogando em linha e girando a bola em busca da progressão, justamente, com a segunda fase, formada pelos alas e volantes bugrinos, que “balançavam”, para se desmarcar e se aproximavam, para ser opção de passe, gerar a superioridade numérica necessária para triangular e conseguir iniciar a ofensiva. Régis, dessa vez mais centralizado, atuava nas entrelinhas das costas dos volantes adversários, tentando permanecer mais próximo, tanto do gol, quanto dos atacantes que, hora atacavam as costas dos laterais oponentes, proporcionando jogadas pelas beiradas, hora faziam o “facão”, avançando no contrapé da zaga inimiga, tentando a infiltração pelo meio.

Sem a bola o Bugre variava para 5-4-1, com os alas “baixando” para formar a linha defensiva com os zagueiros, tentando dar solidez e compactação, através do preenchimento de espaços, para este setor. Na linha média, os volantes ficavam responsáveis por fechar o meio e proteger a entrada da área, enquanto os atacantes recuavam pelos extremos para formar a dobra de bloqueio lateral da transição defensiva do Alviverde Campineiro. Régis permanecia, solitário, mais adiantado, buscando fechar as linhas de passe do adversário.

Atacando, o Guarani, que chegava a formar um 3-2-5, buscava a transição curta, através dos zagueiros conectando, principalmente, seus alas e volantes. Quando esse primeiro passe era efetivo (ou através da quebra da primeira linha defensiva adversária, ou com o recuo do combate inimigo) os meio-campistas se tornavam os “motores” de condução, enquanto os alas avançavam para dar profundidade e proporcionar “alargamento” do campo. Os atacantes, por sua vez, variavam entre se aproximarem, para criar vantagem quantitativa, e preencherem a área, a espera de um cruzamento ou inversão de jogo. Régis se movimentava entre volantes e zagueiros do Tricolor de Ribeirão Preto, procurando estar, sempre, no setor onde a bola circulava, para qualificar a ofensiva bugrina. Mas, quando o jogo aproximado não funcionava, o Bugre fazia a bola longa, quase sempre por fora, procurando fazer com que seus atacantes de beirada pudessem usar sua velocidade e os espaços dos lados do campo, para o enfrentamento direto.

Nada disso funcionou.

Mesmo com o Botafogo já eliminado e sem risco de rebaixamento (e essa situação, em particular, já traz lembranças extremamente desagradáveis ao torcedor) o Alviverde Campineiro era quem parecia estar acomodado, já que o time foi inferior desde o apito inicial. Desorganizado e espaçado, o time do Guarani, ao ver o Pantera da Mogiana subir sua marcação, automaticamente começou a baixar suas linhas. O problema ficou ainda maior, quando, sem conseguir sair de seu próprio campo, o Bugre começou a recuar seus jogadores para tentar achar passes e uma “válvula de escape”. Essa movimentação fez com que o adversário se postasse, de vez, dentro do campo de defesa bugrino e, de lá, não mais saísse, forçando erros e chutões que apenas devolviam a posse para o Tricolor de Ribeirão. E foi assim por praticamente dois terços do primeiro tempo, até que Camacho, ao errar uma saída de bola, dentro da própria área, deu a bola nos pés do atacante Douglas Baggio, que dividiu com o zagueiro bugrino e viu a bola sobrar para Alex Sandro bater no canto do goleiro Vladimir e fazer o gol do Botafogo.

Para o torcedor que imaginou que o gol sofrido geraria um senso de urgência e, quem sabe, uma reação do Alviverde, o restante do primeiro tempo foi decepcionante, com poucas chances de ambos os lados e o Pantera da Mogiana fazendo prevalecer seu jogo físico, truncado, faltoso e picotado. Não que o Guarani tivesse alguma qualidade (ou vontade) para chegar ao empate, mas entrar no jogo do adversário só arrastou os minutos até o fim da primeira etapa.

Uma alteração no intervalo, com Reinaldo (que não pode ser reserva nesse time), entrando no lugar de Gabriel Santos (que não pode ser titular em nenhum time) deu indícios de como o Bugre poderia conseguir uma melhor sorte, no jogo. Não que tenha sido uma melhora absurda, mas o atacante entrou “colocando fogo” no jogo (de novo) e, em menos de vinte minutos, o Alviverde teve, pelo menos, três boas chances de empatar, inclusive com um gol anulado, que gerou muita reclamação por parte dos bugrinos.

Mas foi só e foi pouco. Muito pouco. Principalmente para um time do tamanho do Guarani, com toda sua história e sua torcida.

A chuva veio forte e deixou o jogo ainda mais truncado, com o gramado pesado e a bola parecendo escapar dos pés, os dois times passaram a jogar algo que lembrava muito pouco o esporte futebol, já que não havia tática, técnica, finalizações, passes, triangulações, etc. Difícil. Muito difícil (inclusive de assistir) e feio.

Até pelas características do jogo (e da quantidade de água que caia), a entrada de Gustavo França no lugar de Camacho, deixando o Bugre com dois meias mais avançados e apenas um meio-campista (volante?) de mais marcação, não surtiu o efeito esperado, principalmente pela torcida.

Conforme o jogo prosseguia, ficava mais claro que o Alviverde Campineiro não passava de um “catado” mal treinado, que dependendo das situações climáticas, nem de jogar futebol é capaz. Não havia mais formação, padrão, mecânicas, movimentações, ultrapassagens nem nada parecido com uma jogada que tenha sido programada. Mas, como dizem, antes de melhorar, piora. E foi o que aconteceu quando Márcio Silva foi afastar uma bola e se machucou sozinho. O técnico do Bugre acionou o meio-campista Matheus Bueno, para a vaga do zagueiro, e tentou reorganizar o Alviverde Campineiro em um 4-4-2. A saída passou a ser feita pelos dois zagueiros e um dos laterais (enquanto o ala oposto avançava), enquanto a transição ficava por conta de Bueno e Leite, com Régis e França na criação e Reinaldo atacando. Pablo Thomaz também estava em campo, mas (de novo) não dava para considerá-lo uma opção de jogada (ou jogador) válida.

Só que, ao mesmo tempo em que tentava trazer alguma organização a equipe, o treinador fazia mais alterações e, novamente, modificava o padrão tático, impedindo que os jogadores sequer, permanecessem algum tempo exercendo a função para a qual haviam sido apontados ou mesmo sem saber qual o real efeito que aquele posicionamento poderia oferecer. Foi o que aconteceu, novamente, poucos minutos depois, com as entradas de Marlon (outro que não pode ser reserva nesse time) e Iago Teles nos lugares de Régis e Pablo Thomaz, respectivamente, posicionando o Guarani em um 4-3-3.

Não da para afirmar que as alterações mudaram o jogo, como não da para negar que os que entraram tentaram, correram e duelaram. Nos minutos finais, o que se viu parecia muito mais com uma guerra campal do que com qualquer outra coisa. E quem guerreou mais, acabou premiado, quando Marlon foi lançado, tocou na bola e foi atingido pelo goleiro. O VAR recomendou a revisão e a juíza Edina Batista marcou pênalti para o Bugre. Diogo Matheus precisou cobrar duas vezes para fazer o gol (na primeira o goleiro defendeu, mas o VAR mandou repetir por “invasão”), empatar o jogo e dar sobrevida ao Alviverde Campineiro. Os últimos cinco minutos foram protocolo, com campo pesado e os times esgotados (física e mentalmente).

Assim o Guarani vai para a última rodada, quando enfrenta o RB Bragantino, em casa, dependendo apenas de si próprio para escapar do rebaixamento e pode se livrar do descenso até com um empate e uma combinação de resultados. Mas se engana quem acha que isso é bom ou significa vantagem alguma. O Bugre foi incompetente a ponto de não ganhar nenhum jogo dentro do Brinco de Ouro, nesta temporada. Aliás, o Alviverde Campineiro não sabe o que é vencer em seus domínios desde setembro de 2023 (cinco meses). Por isso, aos torcedores da própria opinião, que estão apenas esperando o pior acontecer para dizer “eu avisei”, peço que fiquem longe. Do estádio, do time e da instituição.

E, independente do que acontecer no dia dez de março de 2024, é importante que a torcida saiba que não será, como diz a música, “um filme triste que me fez chorar”. É uma verdadeira franquia de fracassos, dirigida por muitos diretores diferentes, porém iguais. É uma saga de lutas contra o rebaixamento e derrotas humilhantes, dentro e fora de campo. Sequências que tem tantos protagonistas, que faltam figurantes. Filmes em que “atores” fingem se importar, fingem se incomodar, fingem se afastar. A verdade é que não há verdade e no lugar do público, estão os palhaços, que somos nós. Porque o que importa, para os criadores desse “blockbuster”, é que a franquia continue, independente do que se destrua a cada final. E se a tragédia não for suficiente, não se preocupe, torcedor. Haverão mais filmes e, pelo projeto ambicioso dos donos do estúdio, os próximos finais prometem ser, cada vez, mais tristes.

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