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Análise Tática: Guarani x Inter de Limeira

Por Nossa Taba, em 08/02/24

O Bugre recebe, nessa quinta-feira, dia 08/02, as 21h30, o Leão da Paulista, no Brinco de Ouro da Princesa, em jogo válido pela 6ª rodada do Campeonato Paulista 2024.

Na atual edição do estadual, até agora, o alviverde campineiro ocupa a lanterna do grupo B, com apenas quatro pontos ganhos, em cinco jogos (uma vitória, um empate e três derrotas), enquanto o alvinegro limeirense é o terceiro colocado do grupo C, também com quatro pontos, mas com uma partida a menos (uma vitória, um empate e duas derrotas).

Como vem a Inter?

A Inter teve um 2023 com “calendário cheio”. No Paulistão a equipe terminou a competição na última posição do grupo A e, apenas, na 13ª colocação da classificação geral, campanha, única e exclusivamente, suficiente para garantir a permanência do time na primeira divisão. Já para a disputa da série D do Campeonato Brasileiro, apostando, principalmente, em mudanças no departamento de futebol, com as saídas do executivo, Moraci Sant`Anna, e do técnico, Pintado, para as chegadas de Pedro Soriano, para cuidar da montagem do elenco, e do treinador Júnior Rocha, o Leão da Paulista melhorou seu desempenho, inclusive com avanço de fase e garantia da disputa da competição nacional, também, neste ano, mas com eliminação precoce, já na segunda etapa, para o Caxias/RS.

Voltando a falar sobre 2024, o alvinegro limeirense manteve o técnico e a base da equipe do ano anterior e, mesmo perdendo alguns de seus destaques, como o meia Matheus Oliveira (que se transferiu para o futebol coreano) subiu a régua de expectativas e reforçou o elenco com jogadores experientes e conhecidos da torcida, como os laterais Felipe Albuquerque (ex-Chapecoense) e Thiago Ennes (ex-Remo), o zagueiro Maurício (ex-Figueirense), os volantes Gustavo Buchecha (ex-Botafogo/SP), Emerson Santos (ex-Kashiwa Reysol) e Jhonny Douglas (ex-Sampaio Corrêa), o meia Juninho (ex-Marcílio Dias) e o atacante Quirino (ex-Ituano), entre outros.

Para o jogo contra o alviverde campineiro, o técnico Júnior Rocha não poderá contar com o goleiro Zé Carlos (fratura no antebraço) e com o volante João Paulo (lesão ligamentar no joelho).

Motivada pela vitória contra o São Bernardo (2×0, em Limeira) e descansada (o jogo do último fim de semana, contra o São Paulo, foi adiado devido a participação do Tricolor Paulista na “Supercopa Rei”), a provável Internacional de Limeira, para enfrentar o Guarani, nessa quinta, deve ter: Max Alef; Felipe Albuquerque, Diego Jussani, Maurício e Zé Mário; Emerson Santos, Lucas Buchecha, Gustavo Bochecha e Juninho; Everton Brito e Quirino (Rafael Silva).

Como joga?

Montado em um 4-4-2 apoiado, o Leão da Paulista usa linhas “flutuantes” para sustentar as ultrapassagens, o “balanço” e as dobras (defensivas e ofensivas) desse padrão tático. Iniciando com os zagueiros e laterais posicionados em linha, é no setor de meio-campo, em formato de losango, onde a característica do “jogo apoiado” mais aparece, já que as mecânicas desse setor dependem muito das ultrapassagem, da aproximação e do movimento constante dos jogadores sem a bola, para gerar superioridade numérica, tanto na parte ofensiva, para dar progressão, quanto na parte defensiva, para fechar espaços. Com os ritmos da transição sendo ditados, o ataque tenta gerar dificuldade para o adversário, se mantendo próximo aos meias e aos laterais, seja no ataque, dando opção, seja na defesa, ajudando na pressão sobre o jogador com a bola.

Como ataca?

Na característica do futebol apoiado, busca propor e controlar o jogo através da posse de bola, com a primeira linha, de 4 jogadores, se oferecendo para iniciar a jogada, enquanto o primeiro volante e os dois meio-campistas se aproximam, pelo meio e pelos lados do campo, respectivamente, para dar opção, quebrar a primeira linha e dar início a transição ofensiva. Mas nem sempre essa dinâmica “encaixa” rapidamente e, não raramente, vemos o primeiro volante “afundar” entre os zagueiros, que “abrem”, enquanto os laterais avançam, quase como extremos, arrastando a marcação, criando espaços para que os meio-campistas façam essa movimentação, entre as linhas adversárias, buscando criar vantagens.

E, por característica, a equipe busca, sempre achar esse passe mais curto e preciso, circulando a bola, invertendo jogadas e jogadores, para confundir a defesa adversária e conseguir avançar. O meia de armação/criação, nesse sistema, busca se aproximar do setor onde a bola está, proporcionando qualidade do meio para frente, sempre nas entrelinhas, enquanto o atacante de mais mobilidade, ataca espaços, ofertando a bola mais longa ou um passe mais “esticado”. Até o centroavante, mesmo sendo mais fixo, não deixa de se apresentar e se descolar da marcação, seja para fazer o “pivô, seja para o famoso “um-dois”, enquanto os laterais já viraram pontas.

Como Defende?

Um 5-4-1, em bloco móvel, bastante robusto e compacto, com as linhas, sempre apoiadas, que sobem e descem, juntas. E, apesar de não jogar só de forma reativa, esperando seu adversário, é bastante comum, na maior parte do jogo, vermos as linhas do alvinegro limeirense mais baixas, buscando a antecipação ou o combate. Da primeira linha, quem fica, mesmo, é o centroavante, que incomoda a troca de passes e tenta forçar um erro do adversário. O atacante mais móvel e o meia de armação/criação recuam para uma segunda linha, ao lado dos outros dois meio-campistas, enquanto o primeiro volante “baixa” entre os zagueiros e fecha a região da entrada da área. Sempre com dobras e superioridade numérica, essa compactação faz com que quase todos os setores fiquem congestionados, causando dificuldades e gerando desconforto nos times que enfrentam a equipe.

Pontos fortes:

  • A manutenção do treinador e da base do elenco tem se traduzido em um bom (e raro) entrosamento.
  • ⁠O jogo apoiado, quando bem encaixado (e treinado), é muito eficiente contra qualquer adversário. A prova está nos quatro bons jogos feitos pela Inter de Limeira, até aqui.
  • ⁠Alguns reforços tem se apresentado, individualmente, muito bem. Um deles, o meia Juninho, que, inclusive, passou pelo Guarani, ja anotou três gols, em quatro jogos.
  • ⁠Um time híbrido, que, mesmo leve e móvel, pode tornar o jogo físico e truncado, se necessário.
  • ⁠O fato de ter um calendário cheio, também em 2024, fez com a diretoria montasse um elenco mais diversificado e com diferentes opções para o técnico Júnior Rocha poder trabalhar.

Pontos fracos:

  • Mesmo com o citado entrosamento, a instável defesa do Leão da Paulista, sem poder contar com seu goleiro titular, já sofreu seis gols em quatro jogos.
  • ⁠O conjunto de zagueiros do alvinegro limeirense tem encontrado dificuldades com a velocidade exigida no jogo apoiado.
  • ⁠Apesar de boas atuações, a Inter não tem conseguido sustentar resultados, oscilando demais, dentro das partidas que disputou.
  • ⁠O fato do meio campo ter três homens mais marcadores, por vezes, limitam a amplitude da transição ofensiva, já que a equipe não se utiliza de pontas e depende das subidas dos laterais, para “alargarem” o campo.
  • ⁠Algumas contusões e desfalques tem impedido, até agora, o uso da chamada “força máxima” pelo técnico leonino.