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Análise tática: Santos x Guarani

Por Nossa Taba, em 04/02/24

O Bugre vai até a Vila Belmiro, neste domingo, 04/02, às 18hs, para enfrentar o Peixe.

O alvinegro praiano é o líder do grupo A e o terceiro colocado, na classificação geral, do Paulistão 2024, com nove pontos (três vitórias e uma derrota, em quatro jogos), enquanto o alviverde, que vive momento de oscilação, ocupa a terceira colocação do grupo B e a nona posição na classificação geral, com apenas quatro pontos (sendo uma vitória, um empate e duas derrotas), tudo isso com 1/3 da competição já tendo sido disputada.

Como vem o Santos?

Depois de algumas temporadas lutando contra possíveis rebaixamentos, o Peixe acabou abraçando o descenso no Brasileirão 2023 e, esse ano, irá jogar a série B, da competição nacional.

A “queda”, somada a eleição de um “novo” presidente, Marcelo Teixeira (que já teve outros dois mandatos à frente do alvinegro praiano) trouxe, como de costume, uma grande reformulação, que passou (e ainda passa) pela venda, empréstimo e/ou dispensa de alguns jogadores com salários que não se enquadram na nova realidade financeira das receitas santistas, como Soteldo, Dodi, Marcos Leonardo e Lucas Lima (entre outros), mudanças estruturais, como, por exemplo, na diretoria de futebol (e todos os setores ligados ao desempenho esportivo) e na comissão técnica, com a chegada do treinador Fábio Carille e seus auxiliares.

O Peixe também aposta em um elenco mais experiente, com vários jogadores conhecidos do torcedor como o zagueiro Gil (ex-Corinthians), os laterais Hayner (ex-Coritiba), Jorge (ex-Palmeiras) e Aderlan (ex-RB Bragantino), os volantes João Schmidt (ex-Kawasaki Frontale) e Diego Pituca (ex-Kashima Antlers), os meia Giuliano (ex-Corinthians), Otero (ex-Aucas) e Juan Cazares (ex-América MG), além do atacante William “Bigode” (ex-pirâmide financeira).

E o início do Estadual deixou o torcedor do time do litoral esperançoso por dias melhores. Até aqui foram três vitórias (1×0 no Botafogo SP, em Ribeirão Preto, 3×1 contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro e 1×0 sobre o Água Santa, em São Bernardo do Campo – jogando como visitante) e apenas uma derrota (2×1 para o Palmeiras, no Allianz Parque).

Para a partida, o alvinegro praiano não terá o lateral-esquerdo Jorge (ainda se recuperando de contusão no joelho) e Giuliano (lesão na panturrilha). Porém deve ter o retorno de Aderlan (poupado contra o Água Santa) e pode ter estreia de Morelos (regularizado essa semana).

Assim, o provável Santos para enfrentar o Guarani, nesse domingo, deve ter: João Paulo; Aderlan, Gil, Joaquim e Felipe Jonathan; João Schmidt, Diego Pituca, Cazares e Otero (Pedrinho); Guilherme e Júlio Furch.

Como joga?

Muitos imaginavam que, até por ter como comandante Fábio Carille (muitas vezes chamado de “retranqueiro”), o Santos iria apresentar um futebol mais defensivo. Entretanto, o que se vê em campo é um time que, mesmo tendo em sua defesa o elo forte da equipe, se mostra muito versátil e com variações interessantes.

Normalmente montado no 4-4-2 posicional, com a defesa em uma linha de quatro jogadores, a segunda linha com dois volantes jogando lado a lado e dois meias abertos, enquanto a linha ofensiva tem um atacante de mais mobilidade e um centroavante fixo, o Peixe costuma executar (e bem) todas as mecânicas a que se propõe e, dentro de uma mesma partida, para encontrar soluções ofensivas e defensivas, pode alterar o posicionamento e o padrão tático, se necessário.

Seja para o 4-2-3-1, mantendo a primeira linha com quatro jogadores e a segunda linha com dois volantes, mas trazendo um dos homens de frente para atuar centralizado, junto aos meias de armação/criação, gerando superioridade numérica no meio de campo e qualificando esse setor ou para o 4-3-3 sem alterar a linha defensiva, dando liberdade para que os volantes se revezem, tanto nas subidas, quanto nas coberturas, mantém um meia e avança dois jogadores, um de cada lado, para aumentar o volume ofensivo e empurrar o adversário para trás, o alvinegro praiano tem, até agora, sido consistente e, mesmo sem fazer exibições de gala ou encher os olhos da torcida, conquistado os pontos, merecendo os resultados, largando muito bem no Estadual e mostrando que pode, sim, atingir os objetivos esportivos propostos para essa temporada.

Como ataca?

Alternando entre o propositivo e o reativo, com blocos “flutuantes”, o Peixe se utiliza de uma saída de bola com os zagueiros e laterais em linha e a aproximação dos volantes, em busca das triangulações necessárias para sair da marcação e possibilitar uma transição de qualidade, que dá prioridade para as beiradas do campo, inclusive abrindo seus meias para dar opção de progressão e criação por este setor. A qualidade do meio-campo do alvinegro praiano faz a diferença ofensiva, principalmente depois quando os laterais avançam e ajudam a bola a chegar com qualidade até um ataque que costuma ter um jogador com características de movimentação e busca de espaços nas entrelinhas adversárias (Guilherme ou Pedrinho) e um centroavante mais fixo (Júlio Furch).

Como defende?

Em um 4-4-2 de linhas que sobem e descem em blocos, a principal marca da equipe esta nessa defesa por zona (ou seja, prioriza a proteção do espaço e não as perseguições ao adversário) e se posiciona na entrada da área, como um “muro”, para proteger a região do campo conhecida como “funil” (de onde saem a maioria dos gols). Conta com zagueiros e volantes que fazem da transição defensiva uma das maiores qualidades do Peixe. A única diferença, aqui, é que a dobra defensiva de um dos lados (normalmente do esquerdo) é feita pelo atacante de mobilidade, enquanto os meias se revezam nessa recomposição, do lado oposto.

Pontos fortes:

• Um dos melhores goleiros do Brasil, João Paulo é o titular do gol do alvinegro praiano.

• ⁠Dupla de zaga muito forte na bola parada, tanto ofensiva, quanto defensiva.

• ⁠Uma dupla de volantes muito inteligente, técnica, rápida e forte na marcação.

• ⁠Meias de muita qualidade técnica e que tem, nas finalizações, de média e longa distância, na bola parada ou rolando, uma das principais “armas” do Peixe.

• ⁠Um centroavante goleador que não permitiu que a torcida do Santos sentisse saudades de Marcos Leonardo (vendido para o Benfica).

Pontos fracos:

• O Santos tem muita dificuldade em marcar pelos lados do campo. Primeiro pela característica de seus laterais e, segundo, pelas características de seus meias, que não conseguem, na transição defensiva, fazer essa dobra.

• ⁠Otero e Cazares são, indiscutivelmente, muito bons com a bola nos pés. A questão é que ambos ficam devendo no quesito mobilidade, velocidade e recomposição.

• ⁠O Peixe ainda é um time em formação, que tem jogadores chegando e saindo, dificultando o trabalho físico e tático da comissão técnica.

• ⁠Apesar de ter feito os resultados e ganho pontos importantes, está claro que ainda falta muito para o time “encaixar” e se tornar mais competitivo, sólido e eficiente.

• ⁠A questão física, devido a sequência de jogos, pode pesar ainda mais em jogadores experientes e, inclusive, já fez algumas “vítimas” no alviverde praiano como Giuliano, por exemplo.