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Análise Tática: Ituano x Guarani

Por Nossa Taba, em 28/01/24

Na noite do último sábado, 27/01, o Bugre foi até Itu, em busca de sua primeira vitória no Paulistão 2024. Umberto Louzer manteve o 4-2-3-1 “posicional”, mas fez alterações pontuais, na escalação, para ajustar a equipe, de acordo com o adversário e buscando a efetividade que vinha impedindo que o Guarani saísse com melhores resultados, mesmo sendo superior, nos últimos jogos.

Os onze iniciais foram: Douglas; Heitor, Léo Santos, Rayan e Mayk; Anderson Leite, Camacho e Chay; Reinaldo, Derek e Bruno Mendes.

E o alviverde, mesmo fora de casa, comandou as ações desde o apito inicial, demonstrando variações em todos os setores do campo, sendo agressivo (atacando e defendendo) e, através do volume de jogo, criando chances para ter aberto (e ampliado) o placar, antes dos 15 minutos da partida.

Com, pelo menos, seis opções de saída de jogo – todas no estilo Lavolpiano – sempre com três jogadores, para criar superioridade numérica e oferecer mais opções de passe. E nós vamos mostrar TODAS elas:

As duas mais utilizadas eram, também, as que o torcedor mais conhecia: os dois zagueiros com auxílio de um dos laterais. E aí começaram as (inúmeras) boas surpresas – no quesito variação – já que foi uma demonstração de que tem muita coisa diferente (e em evolução) em relação ao que vimos no ano passado. Agora os laterais (esquerdo e direito) se revezam nessa “função” e causam confusão em qualquer um que pense em marcar essa saída de bola, além de atrapalhar o encaixe defensivo, já que esse sobe e desce, desestabiliza o “balanço” e cansa os marcadores designados para fazerem a primeira linha defensiva adversária.

Outras duas opções envolviam, diretamente, nossos volantes. Mais comum foi ver Camacho “afundando” entre os zagueiros, com Anderson Leite buscando se movimentar nas costas da marcação, oferecendo um passe mais curto.

Mas vimos, também, Anderson Leite “baixando” na lateral-direita, com Camacho sendo esse jogador que oferecia a primeira opção de progressão de jogo.

Em ambas as situações os dois laterais avançavam, quase como pontas, oferecendo essa dobra ofensiva nas beiradas (ou extremas).

E essas foram, sem dúvida, as saídas que mais se converteram em transição ofensiva bem sucedida.

Para dar sequencia a análise tática PRECISAMOS falar de uma situação que mudou o jogo: a contusão de Chay.

Por volta dos 18 minutos do primeiro tempo, quando o Ituano começava a igualar as ações, o camisa 10 bugrino tentou jogada individual, na intermediária defensiva do Guarani, foi desarmado e caiu. Só que adversário que desarmou o meia alviverde também caiu e ,na queda, atingiu Chay que, imediatamente, sentiu o joelho. Foi aí que Umberto Louzer, ao acionar Matheus Bueno, montar um meio campo com três meio-campistas “box-to-box” (que defendem e atacam) e mudar para o 4-3-3, deu o primeiro laço do nó tático que viria a ser aplicado em Marcinho, técnico do Ituano.

O Guarani começou a “sobrar” em campo, em uma das melhores atuações (tanto tática, quanto coletiva) dos últimos anos.

As mecânicas de saída de bola não mudaram, mas as transições (defensiva e ofensiva) subiram de patamar e o Bugre começou, pouco a pouco, a tomar conta desse setor do campo.

Muito técnico, com um posicionamento tático exemplar e uma qualificação significativa na troca de passes, esse trio de “volantes” foi o “combustível” da vitória bugrina.

Combustível para um ataque que já vinha sendo bem “abastecido” mas dava mostras de que algo faltava para que esse “motor” funcionasse.

Quando Louzer virou a chave, dessa vez, o Guarani “ligou”!

E aqui, para falar do primeiro gol, vamos explicar a 5ª opção de saída de bola do Guarani: a bola longa.

O Ituano subiu a marcação e gerou algum desconforto ao Guarani que, a pedido de seu treinador, fez a bola longa com Bruno Mendes. Na briga pela bola, Mendes sofreu falta. Na cobrança rápida, o Bugre desceu pela esquerda e contou com seus três homens de frente para abrir o placar. Derek achou bom passe para Bruno Mendes, que fez o pivô e serviu Reinaldo, que bateu no canto direito de Jefferson Paulino para abrir o placar.

Talvez você, torcedor, nem tenha percebido, mas foi com a 6ª opção de saída de bola, que Louzer deu o segundo laço do nó tático aplicado na vitória da noite de sábado. A saída com uma linha de 4 (zagueiros e laterais), a aproximação dos meio-campistas e dos atacantes, o Guarani passou a jogar de forma mais compacta, facilitando a troca de passes e dando oportunidade para as “espetadas” de seus atacantes. De uma dessas saídas, depois de uma quebra na linha de marcação, o Ituano foi obrigado a parar o ataque com uma falta. Essa que, MUITO bem cobrada pelo lateral-esquerdo Mayk, gerou o segundo gol alviverde.

E não dá para não falar do ataque, né? Mesmo sendo um dos times que mais finalizava, faltava o gol. E talvez, se esse gol tivesse saído antes (contra Corinthians ou São Bernardo), o que não seria nenhum absurdo, diante do volume de jogo e do número de chances criadas, essa vitória seria mais uma prova, entre as muitas outras, de que jogar com três meio-campistas (ou três “volantes”) não torna o time, necessariamente, defensivo. Claro que a escalação de Derek pela beirada, com Bruno Mendes de centroavante contribuiu com a confusão da defesa adversária, já que um zagueiro adversário acabava, constantemente, deixando sua posição, saindo da área e dobrando a marcação no nosso “Bruno Sávio 2.0” e essa movimentação deixava o quarto-zagueiro (conhecido como “homem da sobra”) encarregado de marcar Bruno Mendes, o que não funcionou e ainda deu mais liberdade para o jovem Reinaldo deitar, rolar e, ainda, anotar dois gols.

Mas não é só de ataque que vive um time e acredito que o torcedor do Guarani já imaginava que Umberto Louzer montaria um time com padrões defensivos muito sólidos, independentemente do esquema tático. O fato do Bugre ter sofrido apenas um gol em três jogos só reforça o tamanho da capacidade do técnico bugrino, que, quando tem um meia de origem jogando, se defende no 4-4-2, com o centroavante e o meia formando a primeira linha defensiva, os volantes e os atacantes de beirada formando a segunda linha e os zagueiros e os laterais fazendo a última (e uma das mais seguras do campeonato) linha de defesa.

Só que poucos perceberam (ou entenderam) como o treinador do Bugre deu o último dos laços do nó tático.

Ao substituir o tal “meia de criação/armação” por mais um meio-campista (conhecido por “volante” mas, verdadeiramente, atuando como um “meia de ligação”) Umberto Louzer “matou” o jogo” com mais uma variação que chama a atenção por continuar com marcação em linha alta (mesmo vencendo por 2 gols de vantagem) e, ao invés de se defender no 5-4-1 (tão comum e já usada contra o Guarani por Corinthians, São Bernardo e Ituano) traz o 4-5-1, mais utilizado em times posicionais, mas pouco visto no futebol brasileiro.

E o Guarani seguiu dominando, desfilando uma apresentação de gala, sem dar chances para o adversário e ainda criando mais oportunidades, em uma mecânica de contra-ataque poucas vezes vista nos últimos anos.

Umberto seguiu fazendo alterações para oxigenar setores que começaram a perder força (e fôlego) e mantendo o auto nível da apresentação do Bugre.

Tanto que os 11 finais, mesmo sendo bem diferentes dos 11 iniciais, não deixaram de performar e de fazer, em campo, atuações que colocam ânimo na torcida bugrina e uma pulga atrás da orelha do técnico alviverde (para montar o time) porém, dessa vez, de forma positiva.

E são nesses momentos e nessas reviravoltas, com nome e sobrenome (Umberto Louzer) que o torcedor do Guarani deve (e vai) se apegar para apoiar esse time que já mostrou ter fome de bola e de vitórias. Se mantiver esse nível de atuação, esse placar elástico será só um aperitivo de um prato principal que pode trazer muitas alegrias para a família Bugrina.

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