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SEMIFINAL (VOLTA) – Guarani 1 x 0 XV de Piracicaba

O sofrimento chegou ao fim. Os duros cinco anos na segunda divisão, agora, serão coisa do passado. Torcedor, pode encher o peito e gritar com orgulho: ‘O BUGRÃO VOLTOU’. Não foi fácil, muito longe disso, mas diante de uma atmosfera espetacular e apoio incondicional, o Guarani cumpriu seu objetivo, derrotou o XV de Piracicaba por 1 a 0, na noite desta quarta-feira, no Estádio Brinco de Ouro, e garantiu o retorno à elite do Campeonato Paulista.

Coube a um herói improvável a honra de ser o personagem decisivo da partida. O volante Ricardinho, como um autêntico elemento surpresa, apareceu na área e fez o gol da vitória aos dois minutos do segundo tempo. O primeiro dele com a camisa e que não poderia sair em hora mais importante.

Com o acesso garantido, o Alviverde se dá ao direito de extravasar tudo o que estava engasgado na garganta durante todas essas temporadas. O campeonato, no entanto, ainda não acabou. O Bugre tem a chance de coroar a campanha com o título na Série A2 no encontro com o Oeste, outra equipe que volta á primeira divisão. A data da decisão será confirmada nesta quinta-feira pela Federação Paulista, mas é certo que o jogo será no Brinco de Ouro, já que o Guarani fez melhor campanha na somatória das fases.

PRIMEIRO TEMPO
O Guarani teve o estádio cheio e toda a pressão das arquibancadas à seu favor, mas não soube tirar proveito disso no primeiro tempo. A atmosfera criada não afetou em nada o XV de Piracicaba, que foi quem mais conseguiu ditar o ritmo que gostaria. O início da partida foi de temor absoluto para os donos da casa. Na primeira descida do Nhô Quim, Bruninho tentou de meia-bicicleta, mas jogou nas mãos de Bruno Brígido. Aos 4′, um susto enorme. Após bela trama, a defesa bugrina parou, Fabinho saiu cara a cara, mas de maneira inacreditável jogou para fora uma oportunidade de ouro.

O lance claramente abalou o Alviverde, que em momento algum da etapa inicial conseguiu encaixar sua estratégia e controlar o confronto como gostaria. Mais à vontade em campo, o XV esfriou qualquer tentativa de imposição e administrou o ritmo. Quando o Guarani tentava acelerar, os visitantes tiraram a velocidade, picotavam o jogo. O primeiro momento que levantou o torcedor no Brinco foi apenas aos 16′, em cabeçada de Bruno Mendes por cima da meta.

Sem combinações ofensivas e bem marcado pelo adversário, o Bugre não conseguia ganhar nenhum rebote e, em vacilos lá atrás, permitia contra-ataques perigosos. O XV, percebendo as dificuldades do oponente, aproveitou para se arriscar e, mais de uma vez, rondou perigosamente a área rival.

Só depois dos 30′, finalmente o Alviverde colocou um pouco mais a bola no chão e ocupou com constância o campo de ataque. A supremacia territorial, no entanto, foi pouco efetiva graças aos constantes erros na tomada de decisão. Foi necessário um lance individual de Bruno Mendes, aos 43′, para que o Guarani finalmente levasse perigo. O atacante fez linda jogada próximo à linha de fundo, passou por Vinícius Simon e jogou na área, Erik finalizou, mas mandou à esquerda do gol.

SEGUNDO TEMPO
Nitidamente, a apreensão tomava conta de todo o estádio, mas bastaram dois minutos do segundo tempo para que esse sentimento se transformasse em festa incontida da torcida bugrina. Quando finalmente a troca de passes envolveu o adversário, o Guarani marcou. Bruno Nazário recebeu de Rondinelly, percebeu a projeção de Ricardinho e fez o passe. O volante, como elemento surpresa, se atirou em direção à bola para finalizar no cantinho direito de Samuel Pires e anotar seu primeiro gol. Bendito gol!

A abertura do placar forçou uma mudança de característica da partida. A vantagem, bem como o relógio, eram todos do Bugre, enquanto ao XV não havia outra alternativa que não se atirar à frente em busca do empate que levaria a disputa do acesso para os pênaltis. Em bola colocada na área, Jobinho tentou de bicicleta, aos 15′ e mandou à esquerda de Bruno Brígido.

A cada volta do ponteiro, a cada disputa de bola ou a cada descida do XV, a tensão reinava no Brinco. Evaristo Piza fez todas as suas alterações antes dos 30 minutos em busca do tudo ou nada. O Nhô Quim tinha a posse de bola, buscava sempre os lados do campo e abusou dos chuveirinhos, mas a defesa bugrina, mais acertada, se virava bem e mandava para longe qualquer perigo a Bruno Brígido.

Nessa hora, bico para frente era luxo e uma dividida era motivo de comemoração de gol. Com direito ao ídolo Fumagalli em campo, o Guarani teve maturidade para, aí sim, controlar o jogo da sua maneira. Esgotado e sem pernas para alcançar a reação, o XV viu a tarefa ficar ainda mais difícil aos 38′, quando Vinícius Simon, que já tinha cartão amarelo, parou contra-ataque e foi expulso.

Daí para frente, foi deixar o tempo passar. A partir dos 42′, a torcida não se segurou mais. Aos gritos de ‘Vamo subir, Bugre’, a festa nas arquibancadas abrilhantou o final de jogo e desencadeou a apoteose no Brinco de Ouro. A rica história do Guarani não merece Série A2. E ela, agora, é coisa do passado.

FICHA DO JOGO

GUARANI 1 x 0 XV DE PIRACICABA


Bruno Brígido; Lenon, Philipe Maia, Fernando Lombardi e Marcílio; Baraka e Ricardinho; Bruno Nazário (Caíque, 29/2º), Rondinelly (Denner, 35’/2º) e Erik; Bruno Mendes (Fumagalli, 37’/2º). Técnico: Umberto Louzer.


Samuel Pires; Oziel, Marcondes, Vinícius Simon e Fraga; Gilson (Norton, 21’/2º), Jonathan Costa e Fabinho (Rafael Gomes, 30’/2º); Jobinho, Everton e Bruninho (Maikon Aquino, 21’/2º). Técnico: Evaristo Piza.

Gols: Ricardinho, aos 2 minutos do segundo tempo.
Público: 15.816 pessoas.
Renda: R$ 237.525,00.
Local: Estádio Brinco de Ouro.
Data e horário: Quarta-feira, 4 de abril, às 20h30
Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza.
Cartões amarelos: Fernando Lombardi, Bruno Nazário (Guarani); Vinícius Simon, Jonathan Costa (XV de Piracicaba).
Cartão vermelho: Vinícius Simon, aos 38 minutos do segundo tempo.

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