Conecte-se conosco

Estatísticas

Guarani 1 x 0 Juventude: o que as estatísticas mostram

Bugre fica devendo, mas não se descontrola e arranca vitória na marra

Depois de alguns jogos em que teve bons momentos, mas não venceu, o Guarani trocou o desempenho por resultado: à essa altura do campeonato, competir é essencial (Foto: Reprodução)

Durante a Série B do Brasileiro, o Guarani teve algumas poucas atuações realmente convincentes, mas se notabilizou mesmo por ser um time de altos e baixos. Essa oscilação, que por vezes acontecia dentro do próprio jogo, frustrava o torcedor que via a equipe bem em uma parte do jogo, mas depois tinha que amargar a queda de produção e o tropeço. Na quinta-feira, contra o Juventude, quem foi ao Brinco de Ouro não viu o Bugre jogar realmente bem em momento algum, mas foi uma noite em que o resultado valia mais do que desempenho, nem que fosse para a vitória ser conquistada na marra.

Em uma fase tenebrosa, o Juventude mostrou desde o início que a ideia era levar um ponto ou, quem sabe, aproveitar um vacilo para conseguir surpreender. O forte esquema defensivo já era algo esperado pelos bugrinos, mas no primeiro tempo os donos da casa não estavam nem um pouco preparados para transpor a barreira que se colocava à frente.

A etapa inicial foi de muita bola no pé dos bugrinos, mas quase nada de agressividade. Os quase 61% de posse de bola – mas com apenas 22% no último terço – foram sinais de um time sem alternativas. No toca pra lá e toca pra cá, o Alviverde terminou a primeira parte da partida com 238 passes, mais do que os visitantes conseguiram fazer nos 90 minutos (233).

Ter o domínio territorial e o controle da redonda, porém, pouco fizeram diferença porque o time não soube encontrar uma saída. Os dois volantes foram os responsáveis por organizar a equipe no primeiro tempo, mas Willian Oliveira e Ricardinho participaram muito pouco de lances mais agudos.

Quem também não conseguiu encaixar o jogo foi o quarteto da frente. Matheus Oliveira e Jefferson Nem não funcionaram pelos lados do campo, Rafael Longuine viveu de lampejos e Bruno Mendes, encaixotado entre os defensores, mal ficou com a bola. Na etapa inicial, nenhum deles conseguiu mais do que 10 combinações. Não por acaso, o Guarani terminou o primeiro com seis finalizações, mas apenas uma no alvo, sem perigo.

O Bugre voltou do intervalo com um comportamento diferente. Utilizou menos a posse de bola inútil ou as trocas de passes para o lado e para trás para, com verticalidade, arriscar um pouco mais. Na primeira vez em que isso deu certo, Bruno Mendes quase abriu o placar logo no comecinho.

A participação do camisa 9, a propósito, é uma amostra de como o time foi menos engessado. Com o time ficando mais no ataque – a posse de bola aumentou para 31% no último terço – o atacante teve mais chances. No total, Mendes tentou seis finalizações no jogo, sendo quatro certas. E todas as que foram em direção ao alvo aconteceram no segundo tempo.

Apesar da ligeira melhora, o 0 a 0 persistia no placar e o Juventude não alterava uma fagulha da sua estratégia. Embora tenha ficado mais com a bola, o time gaúcho queria mesmo era cozinhar o jogo e enervar os donos da casa. Quando cansou de só correr atrás e marcar, os visitantes começaram a picotar o jogo com faltas – 14 das 19 infrações foram na etapa final.

O cenário parecia se desenhar para um novo dissabor ao Guarani, com o relógio andando, placar empatado e mais um tropeço em casa. Era hora de ter maturidade para não se descontrolar e a torcida teve um papel importante nisso. Ao invés de chiar por um erro ou reclamar quando o time não concluía uma jogada, os bugrinos que estavam no Brinco de Ouro subiram o volume em apoio ao time.

Em campo, os jogadores entenderam o recado e perceberam que, se na técnica a coisa estava complicada, era preciso se doar um pouco mais e compensar na dedicação. Aí, estatística nenhuma fez a diferença. Com insistência, o Bugre foi em busca de um gol na marra e contou com seu artilheiro para alcançar o objetivo. Depois de parar na trave esquerda, Bruno Mendes converteu pênalti sofrido por Bruno Xavier e fez o gol da vitória.

Nos minutos finais, o Alviverde só precisou apresentar o mínimo de consistência para segurar o resultado. Diante de um adversário extremamente limitado, os defensores do Guarani não marcaram bobeira. Ricardinho outra vez foi um leão no meio-campo e terminou a partida como líder em desarmes (5), acompanhado das atuações sólidas de Philipe Maia e Fabrício (juntos fizeram seis desarmes e tiveram oito rebatidas), além da segurança de Agenor, que não fez nenhuma intervenção difícil, mas trabalhou com eficiência quando exigido.

Depois de quatro rodadas de jejum, o que o Guarani mais precisava era vencer. Com a permanência na Série B do Brasileiro praticamente assegurada, o time vai, rodada a rodada, seguindo no bolo dos que vão disputar o acesso. Agora, só faltam 11 partidas e é bom que ninguém espere o time jogando o fino da bola. Nesse momento de definição, vai valer demais a pena competir e ganhar jogo. Para o torcedor, muito melhor os três pontos com desempenho ruim do que momentos de bom futebol e um tropeço na conta.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Guarani 56% x 44% Juventude
Passes certos: Guarani 392 x 233 Juventude
Passes errados: Guarani 35 x 45 Juventude
Finalizações certas: Guarani 6 x 4 Juventude
Finalizações erradas: Guarani 9 x 3 Juventude
Desarmes: Guarani 16 x 15 Juventude
Cruzamentos: Guarani 25 x 15 Juventude
Lançamentos: Guarani 38 x 41 Juventude
Escanteios: Guarani 8 x 3 Juventude
Faltas cometidas: Guarani 19 x 19 Juventude
Rebatidas: Guarani 24 x 34 Juventude

Comentários

comentários

Mais em Estatísticas